quarta-feira, 3 de junho de 2009

O sorvete


Certa vez levei meu filho de seis anos a um restaurante.
Ele perguntou se podia dar Graças.
Quando concordei, ele disse:
- Deus é bom. Deus é maravilhoso. Obrigado pela comida. Eu ficarei ainda mais agradecido se mamãe me der sorvete como sobremesa.
E liberdade e justiça para todos! Amém!

Junto com as risadas dos outros clientes, escutei uma mulher comentar:

- É isso que está errado com este país: As crianças de hoje não sabem nem rezar. Pedir sorvete a Deus? Eu nunca vi isso!

Escutando isso, meu filho banhou-se em lágrimas e me perguntou:
- Eu fiz uma coisa errada? Deus está zangado comigo?
Enquanto eu o abraçava, assegurava-lhe que ele havia feito uma oração maravilhosa, e que Deus, com toda certeza, não estava zangado com ele.

Um cavalheiro mais idoso aproximou-se da mesa, deu uma piscada para meu filho e disse:
- Eu fiquei sabendo que Deus achou que foi uma grande oração.
- Mesmo? - Perguntou meu filho.
- Dou a minha palavra - o homem respondeu. Então num sussurro teatral ele acrescentou
(indicando a mulher cujo comentário havia desencadeado aquelas lágrimas):
- Que pena que ela nunca tenha pedido sorvete a Deus. Às vezes, um pouco de sorvete faz bem à alma.

Naturalmente, eu comprei sorvete para meu filho, no fim da refeição. Ele olhou fixamente para o seu, por um momento, e então, fez algo do qual me lembrarei para o resto de minha vida:

Pegou o seu sundae e, sem uma palavra, caminhou na direção da mulher,
e o colocou em frente a ela. Sorrindo, disse-lhe:
- Olha, este sorvete é para você! Sorvete às vezes é bom para a alma e a minha já está bastante boa.

A inocência é um dos presentes mais preciosos que Deus nos deu.
Não deixe que a sua se perca pelo caminho.

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