segunda-feira, 12 de abril de 2010

"Greve explicitou fragilidade da educação em SP", diz Apeoesp

FÁBIO TAKAHASHI   da Reportagem Local

Apesar de não ter conseguido reajuste salarial para os professores da rede estadual, a presidente da Apeoesp (sindicato dos docentes), Maria Izabel Noronha, afirma que foi vitoriosa a greve terminada na última quinta-feira, que durou um mês. "Explicitou a fragilidade da educação em São Paulo."
A categoria pedia reajuste de 34,3%. O governo dizia que o aumento desajustaria as finanças do Estado, mas se comprometeu a negociar após o encerramento dos protestos.
A reportagem solicitou entrevista com o secretário da Educação, Paulo Renato Souza, por dois dias, mas não obteve resposta.
Na quinta-feira, o governo tucano divulgou nota que chamou o protesto de "tentativa de greve" e disse que estava disposto a negociar, mas não abrira mão de ações como a lei que limita o número de faltas dos docentes e o programa que prevê aumento salarial de 25% aos 20% dos docentes mais bem avaliados em um exame.
Abaixo, a entrevista concedida pela presidente da Apeoesp, logo após o encerramento da greve.
FOLHA - Como a sra. avalia o movimento?
MARIA IZABEL NORONHA - Do ponto de vista financeiro, não houve avanço. Mas foi vitorioso porque explicitou a fragilidade da educação em SP. O discurso do governo é que todos estão contentes com a política de bônus. Não foi isso que apareceu.
Com a greve, também foram feitas matérias, como a que mostrou queda dos salários em São Paulo [refere-se a reportagem da Folha, que relatou que a rede estadual paulista tem o 14º melhor salário do país].
O movimento não foi mais à frente porque os professores foram intimidados por diretores. Mas qual categoria aguenta 30 dias de greve?
E o governo foi autoritário, não negociou. Houve um refluxo na adesão. Achei acertado ter suspendido a greve agora e marcar uma nova assembleia, para o caso de o governo não atender nada. Não dá para oferecer 0% toda hora.
FOLHA - O intuito da greve era política? A sra. disse que queria quebrar a espinha dorsal do PSDB.
NORONHA - Quando disse aquilo era quebrar a política de exclusão adotada pelo PSDB, que dá aumento para apenas 20% dos professores e exclui os outros 80% [refere-se a programa implementado neste ano].
Eles estão muito no salto alto. Mas serão enfrentados. Não pensem que terão sossego com a suspensão da greve. Onde estiver o secretário, o governador ou o Serra em campanha, os professores estarão lá.
FOLHA - Houve protestos de próprios professores contra a decisão de suspender a greve...
NORONHA - Isso foi organizado por pessoas que não têm credibilidade no movimento, não são sequer eleitos. Eles tentam desestabilizar. Mas ficou claro que a posição majoritária foi de suspender a greve.

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