sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

BBB, Jabulani e a falta de valores


Acho que hoje estou inspirada a escrever (mentira, dormi a tarde toda e não to conseguindo dormir nessa madrugada). Mas tem um assunto que estou a dias pensando em escrever, mas ainda não havia tido tempo. Tanto tempo para escrever, quanto tempo para observar antes de fazê-lo.
Eu estou assistindo ao BBB11. Calma, aprendi a aproveitar o lado positivo das coisas da vida. No mínimo você esta dizendo: que lado bom pode se aproveitar de lá?, mas eu digo, tem. Já trabalharam com amostragem? Aprendi no curso de Processamento de Dados, em Estatistica (tive um excelente professor). Podemos trabalhar com a macro ou micro história, e o BBB11 pode ser encarado como uma amostragem do pensamento do brasileiro. E também, nas minhas longas insônias eu encontro vida humana acordada como eu (no momento, as 04h49 estão acordados jogando sinca)e acabam fazendo companhia pata esta que vos escreve.
O assunto aqui, será bem especifico. Até porque ontem (expliquei no post anterior), sofri preconceito sobre o assunto.
No casting desse BBB, assim como no anterior, foi colocada uma participante GG. Na edição anterior, tratava-se de uma professora universitária, extremamente inteligente (participo de seus comentários via twitter), nesta edição é uma garota no norte do país, bbbmaníaca e com formação básica. Bom, explicações a parte, uma das primeiras coisas que fizeram ao conhece-la, foi lhe dar um apelido. Jabulani (para os que não sabem, foi o nome dado na ultima copa para as bolas do evento). Um dos integrantes, barman e aspirante a “músico” de rap, com um vocabulário extremamente extenso que vai de “tá ligado”, “véiiii?!?!?!?!”, a “suave, mano”, bem no estilo periferia de Sampa. Bonito de doer, que faria Brad Pitt querer fazer plástica pra fazer igual (eita, já to criticando).Desde o inicio já olharam torto pra menina, que tenta agradar a todos, por aceitação.
Bom, mas mais do que o que acontece lá dentro, o pior acontece cá fora. Não assino PPV, mas acompanho o programa por site que o retransmitem. Em uma dessas páginas, tem um chat que acontece 24h00 por dia e que tem uma diversidade de participantes enormes que variam de acordo com o horário. Durante o dia, é uma molecada que só fala em futebol, normalmente ofendendo os times adversários e claro, seus torcedores. Outro costume que também acompanhei (no dia do aniversário de São Paulo), foi o preconceito em relação aos nordestinos e estrangeiros que moram em sampa. Coisas absurdas, confesso que até impensáveis de serem ditas são faladas por uma juventude que mal chega aos 18 anos, com um pensamento mais que preconceituoso.
Você deve estar se perguntado, por que ela lê umas coisas dessas? Porque além de amar a história, gosto de antropologia e como não posso observar os antigos moradores de uma aldeia indígena do lado oeste do sul da Patagônia (hehe, nem existe), posso observar o que acontece ao meu redor e o que posso encontrar em sala de aula.
Mais a noite, o assunto passa a ser BBB e os desejos sexuais de aborrecentes que não sabem nem a que sexo pertencem. Mas o que mais choca é a maneira que eles se referem a participante do reality. Com as informações de peso e altura, cheguei ao IMC de 27,5, que esta abaixo do índice da obesidade (30). A menina tem sobre peso, mas nada que salte aos olhos, mas os comentários parecem que ela tem uma doença incurável, extremamente contagiosa e desfigurante. Os termos, as palavras usadas são palavras que acabariam com a vida (nem só da alto estima) de uma pessoa.
Muitas vezes, questiono sobre os reais valores que a família, mídia, religião e escola estão passando. Hoje, o homosexualismo e questão racial acabam sendo vistos com outros olhos, mas que não chegam a serem tão violentos como a forma que estão olhando a questão física das pessoas. É claro que estes assuntos devem ser tratados e é ótimo que estejam menos sob o foco dos “doentes” preconceituosos que alí interagem, mas a maneira com que tratam as pessoas acima do peso é desumana.
O engraçado (na verdade mais que triste), é que você pega uma dançarina como a mulher melancia, que deve ter um IMC muito maior do que o dessa menina e ela é chamada de gostosa, e do outro lado a menina é esculhambada das piores formas possíveis.
Valores como conhecimento, cultura, fé não são vinculados, principalmente pela mídia como (vou ser bem redundante) coisas de valor, mas um corpo sarado, mesmo que doente, em uma mente vazia são irradiados e valorizados como a melhor coisa que existe (parece até propaganda do PSDB, mente vazia).
O fato da participante Ariadna ter se multilado para alcançar seu sonho, passa a ter um ar de normal, enquanto que os quilos a mais da outra participante acabam por escandalizar.
Que mundo é esse?
Até breve, bjks

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