terça-feira, 11 de junho de 2013

Leonardo Da Vinci em Bogotá – Parte 1

GVcult
Por Marcelo Coelho.
O day off durante uma turnê é como um belo domingo de sol –  acorda-se cedo, caminha-se muito, fotografa-se tudo. Foi num desses dias na simpática cidade de Bogotá, capital da Colômbia, que tive a oportunidade de conhecer um dos maiores criadores que a humanidade já conheceu: Leonardo Da Vinci (1452-1519).
A curadoria da exposição intitulada Da Vinci El Genio, realizada no espaço El Claustro La Enseñanza, teve o cuidado de apresentar ao público os diferentes ofícios exercidos por Da Vinci: inventor, filósofo, pintor, cientista, engenheiro, escultor, anatomista, biólogo, músico e arquiteto. No intuito de ilustrar as suas produções, foram expostos estudos, rascunhos, cartas, desenhos e mais de 160 peças criadas por ele.
As peças abrangiam desde máquinas com complexas redes de engrenagens a protótipos bélicos. Todas elas foram reconstruídas por artesãos fiorentinos que seguiram à risca as instruções e técnicas indicadas nos manuscritos do próprio Da Vinci.
Fiquei perplexo ao constatar que, como se não bastasse a pluralidade do seu conhecimento, ele atuou e interveio de maneira excepcional em todas as áreas que se interessou. Suas criações, inventos e estudos, frutos de uma rara sensibilidade artística aliada à imensurável capacidade de observação e inteligência analítica, o fizeram antecipar de maneira quase profética uma realidade que só foi possível séculos depois com o advento da tecnologia.
A extraordinária habilidade de Da Vinci de interligar os mais distintos eventos do cotidiano do homem e da natureza me fez refletir sobre o impacto das especializações no processo criativo individual.
Em um artigo anterior, eu afirmo que ‘a realização ou materialização do processo cognitivo criativo está atrelada às demandas exigidas pelo ambiente onde se realizam este processo. O filósofo, por exemplo, lida com o pensamento reflexivo, o músico com sons, o arquiteto com a perspectiva, o médico com o corpo humano, o pedreiro com a construção civil, e assim por diante.’ – artigo ‘O Filósofo e a Faxineira.’
A escritora Fayga Ostrower compartilha da mesma opinião quando afirma que ‘a imaginação criativa é um pensar específico sobre um fazer concreto.’
Em ambas as afirmações está clara a importância do pensamento específico quando se planeja realizar ou materializar a imaginação criativa – o músico pensa de maneira específica quando lida com os sons e assim por diante.
No entanto, a especificidade, primordial para a ampliação das possibilidades de realização do imaginar criativo, não deve ser confundida com especialização. Esta última tende, na grande maioria das vezes, a segmentar e engessar a capacidade de observação e a imaginação criativa – um pintor desenvolve a sua criação a partir de uma perspectiva observada, real ou imaginária. Ele não se baseia exclusivamente na textura da tela ou na pigmentação da tinta. Se assim fosse, este pintor seria então um especialista em telas e tintas, e a expressão do seu trabalho não causaria uma experiência estética quando apreciada.
As especializações dentro de um conhecimento específico tendem a restringir a percepção ampla do todo, reduzindo, desta forma, a imaginação criativa e por conseqüência desestimulando o potencial humano.
No entanto, é natural e esperado que o indivíduo se identifique, se aprofunde e se especialize em alguma área do conhecimento humano. Os cientistas e os artistas são, de alguma maneira, grandes especialistas no trabalho que fazem.
Mas quais são as razões pelas quais tanto os artistas quanto os cientistas sejam grandes criadores à medida que se aprofundam e se especializam no seu trabalho?
Estas questões serão refletidas e argumentadas no próximo artigo. Aguardem!
Edição: Samy Dana e Octavio Augusto de Barros.

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